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Morre ex-presidente do Peru que deu tiro na cabeça ao ser preso no caso Odebrecht
Alan García cometeu suicídio assim que policiais chegaram para prisão decorrente de denúncias da Operação Lava Jato
Sonora News Sonora - MS
Postada em 17/04/2019 ás 16h16

O ex-presidente do Peru, Alan García cometeu suicídio na manhã desta quarta-feira, 17, com um tiro na cabeça quando policiais chegaram em sua residência, na capital do país, para prendê-lo por conexões com uma investigação sobre suborno no caso relacionado à construtora brasileira Odebrecht, informou seu advogado. Ele chegou a ser levado para um hospital, onde passou por cirurgia, mas não resistiu e morreu, após três horas no centro cirúrgico.


“Esta manhã aconteceu este acidente lamentável: o presidente tomou a decisão de atirar”, disse Erasmo Reyna, o advogado, na entrada do Hospital de Emergências Casimiro Ulloa, em Lima.


O hospital indicou que García, de 69 anos, tinha “um ferimento de bala na cabeça” e chegou a ser operado. Depois, confirmou a morte do ex-presidente por volta das 12h30 (horário de Brasília)


A informação de que o ex-presidente – que comandou o Peru de 1985 a 1990 e de 2006 a 2011 – havia tentado tirar a própria vida foi divulgada mais cedo por fontes policiais que pediram para não ser identificadas.


magens de emissoras locais de TV mostraram o filho do ex-presidente e apoiadores chegando ao hospital. A polícia fez um cordão de isolamento para garantir a segurança no local.


Momentos antes, em comunicado, o Ministério da Saúde peruano informou que o ex-presidente tinha um “impacto de bala na cabeça, com entrada e saída” e seu estado de saúde “é delicado e o prognóstico reservado”.


Já o diretor do hospital Casimiro Ulloa, Enrique Gutiérrez, afirmou que o ex-mandatário ingressou na unidade de saúde às 7h17 (9h17, em Brasília) e foi levado direto para a sala de cirurgia. “Em três oportunidades, teve paradas cardiorrespiratórias. Eles ainda passa por intervenção médica.” Ele acabou não resistindo.


Caso Odebrecht


Segundo a ordem judicial obtida pela agência Associated Press, a autorização para prender García foi emitida sob argumento de que o ex-presidente teria recebido US$ 100 mil da Odebrecht pagos de forma disfarçada como o cachê de uma conferência em São Paulo feita em 2012.


Em dezembro, o Uruguai rejeitou o pedido de asilo de García, que buscou proteção no consulado uruguaio em Lima depois de um juiz reter seu passaporte na investigação sobre propinas pagas pela Odebrecht.


Ao negar a solicitação, o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, disse que não havia provas que respaldassem a alegação de García de que era perseguido politicamente pelo atual presidente peruano Martín Vizcarra.


A Odebrecht está no centro do maior escândalo de corrupção na América Latina depois de ter admitido, em acordo assinado em 2016 com o Departamento de Justiça dos EUA, ter pago mais de US$ 800 milhões em propinas em diversos países da região para ser beneficiada em grandes obras de infraestrutura.


No Peru, a empresa disse que pagou US$ 29 milhões entre 2005 e 2014. O caso atingiu também os ex-presidentes peruanos Alejandro Toledo (2001-2006), Ollanta Humala (2011-2016) e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), todos sob investigação da promotoria.


Na semana passada, a Justiça peruana ordenou a detenção por dez dias de Kuczynski no âmbito de uma investigação por suposto crime de lavagem de dinheiro no caso Odebrecht.

FONTE: Midiamax
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